segunda-feira, 20 de junho de 2011

SONHOS MOFADOS

Sonhos Mofados
Às vezes me vejo desperdiçando tanta coisa em casa!Olhando o lixo vi papéis, latas e vasilhas plásticas me senti incomodada,..na verdade não é este "lixo " que me incomoda.
Existe muita coisa de valor em minha vida que é mal aproveitada.
Quando trato mal o meu tempo, qualidades e forças. Como lixo.
Até inconscientemente faço isto e acabo jogando fora talento, criatividade e no fundo me sinto mal aproveitada. Também não dependo de nada externo para evitar este desperdício, e sim de uma força que tenho dentro em mim, e sei que ela é superior a necessária para realizar meus sonhos.
Sonhos... Onde foi que eu guardei meus sonhos? Não, eu não os perdi estão guardados, mas onde?
O mal estar parece querer se instalar de vez, ao pensar desta forma, e mergulho em “ativismos” em torno do armário para afastá-lo, quando encontro meia dúzia de pães mofados que recolho para jogar fora.
Ao me dirigir para a lata de lixo olho os esquecidos pãezinhos em minhas mãos. Não, eu não vou jogá-los assim, sem lhes dar ao menos uma chance de “reciclagem”.
Vou limpá-los e juntar um pouco de leite, açúcar, ovos, e se sobraram no pote algumas passas. Em alguns minutos a massa do pudim começa a tomar forma em minhas mãos. Depois de algum tempo os pães mofados se transforma em um doce e cheiroso pudim- de - pão. E pensar que ia jogá-los fora!
Penso outra vez em meus sonhos sinto que podem estar assim, como os pães, meio mofados, esquecidos. Talvez em algum “armário” de meu inconsciente, e se eu não prestar bem atenção acabo jogando-os fora. Não há receitas certas para um pudim de pão, cada pessoa tem sua receita especial usando os ingredientes que tem á mão, como também não existem formulas mágicas para realizações na vida.
 E se fizer o mesmo que fiz com os pães aos meus sonhos?
Se eu juntar um pouco de força de vontade e perseverança reciclo sonhos á vida que tenho hoje; eu não posso trazer de volta os objetivos sonhados no passado, mas posso resgatar a essência deles.
Posso usar bons livros, boa vontade para aprender a lidar com computadores, um pouco de ousadia que guardei em um pote lá no fundo de minh’alma e sei que acabo transformando meus sonhos em realidade.
Não vai ser fácil e nem tão rápido como foi com este pudim!
Mas uma realidade, e não mais o desperdício de sonhos mofados.

Mára Pezzolo

domingo, 12 de junho de 2011

LINGUAGEM

 

 

Linguagem

"A linguagem é uma pele:fricciono a minha linguagem contra o outro.
Como se eu tivesse palavras à guisa de dedos, ou dedos na ponta de minhas palavras.
Minha linguagem treme de desejo... (a linguagem goza ao tocar a si mesma)".
- Roland Barthe-



Ambigüidade
Minha mente está repleta de sentenças e
pensamentos puramente lógicos e inargumentáveis.
No entanto, meu coração é subversivo á
tudo isto e não me permite viver dentro da
organização teórica que minha mente criou.

Mára Pezzolo

sexta-feira, 10 de junho de 2011

REEDIÇÃO

Desde que me "mudei" para este espaço tenho tentando colocar as postagens que tinha no antigo blog,mas não consegui,como não abri "conta" no wordpress fica impossivel localizá-los ,então ,resolvi reeditar-ou copiar e colar-os textos que tenho guardado aqui comigo, e que já foram publicados.
Faço isso como uma forma de "guardar" escritos, de exercíco, de...sendo sincera?Pura incompetencia tecnologica em fazer aquele link!Pronto! É isso aí.
Não pretendo usar nenhuma coerencia na publicação,data ou  tema assunto,mesmo porque não sou coerente;enfim!Vejamos então como vai ficar.
Este primeiro texto ,por exemplo, tenho guardado comigo a um bom tempo, e me serviu como abertura de um caderno de anotações,um dos que mais usei diga-se de passagem,por isso ele vai aqui:

Apontamentos

6/3/2006 18:41:00(data em que foi postado pela primeira vez)

Abertura


Escolhido a dedo, cheiro e tato.
Para dar-me prazer primeiro, e deixar prazer á quem quiser ver e ler.
Capa dura, confeccionado em brochura resistente ao manuseio á caneta e tinta.
Papel especial em cor parda, para que não canse a vista da escrevente e seu leitor.
Linhas largas, espaçadas.
Inspiram e esperam o bordado de letras sobre cada uma delas, que se transformam num postal do cotidiano. Impressões do meu viver que aqui ficam.

Um caderno transformado em cotidiário.



P. S: Na capa impressa o anjo barroco sonha maroto, como sua dona de hora em diante!

Mára Pezzolo

Outono 1.997(data em que foi criado)


Texto de abertura, na verdade a descrição poética de um caderno onde deixo meus apontamentos para escreviver.
           

quarta-feira, 1 de junho de 2011

VALORES

Este texto é bem conhecido mas resolvi colocar aqui hoje para me lembrar que não estou "ultrapassada" por lutar por aquilo que acredito ser verdadeiro,que não preciso sentir um certo constrangimento quando agradeço uma atendente de super-mercado,ou tentar ignorar uma criança aos berros sem razão alguma a não ser a de "eu quero e pronto!".

Fui criado com princípios morais comuns:
Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos, eram autoridades dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades…
 Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade… Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror…

 Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos. 
Por tudo o que meus netos um dia enfrentarão.
Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos. 
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
 Não levar vantagem em tudo significa ser idiota...

 O que aconteceu conosco? 
Que valores são esses?

 Automóveis que valem mais que abraços, filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano. Celulares nas mochilas de crianças. O que vais querer em troca de um abraço?
 A diversão vale mais que um diploma. Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa. 
Mais vale uma maquiagem que um sorvete. Mais vale parecer do que ser… 
Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?

Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores! 
Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão!
 Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a vergonha na cara e a solidariedade.
 Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho. 
Quero a esperança, a alegria, a confiança!

Abaixo o “TER”, viva o “SER”. 
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como um céu de primavera, leve como a brisa da manhã!E definitivamente bela, como cada amanhecer. 
Quero ter de volta o meu mundo simples e comum.
 Onde existam amor, solidariedade e fraternidade como bases.
 Vamos voltar a ser “gente”. 
Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. 
Utopia? Quem sabe?… Precisamos tentar…
 Quem sabe comecemos a caminhar transmitindo essa mensagem…
 Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão!”.
ARNALDOR JABOR